segunda-feira, 24 de março de 2008

Conexão Diplomática

Por Claudio Dantas Sequeira

Pequim-Brasília

A coluna apurou que o embaixador chinês em Brasília, Cheng Duqing, se reuniu a portas fechadas, na quarta-feira, com o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães. Além de dar detalhes da situação no Tibete, Duqing pediu o apoio explícito do governo Lula à causa chinesa. Guimarães ouviu as queixas, disse que acompanha atentamente o conflito e expressou o desejo de que a situação volte à normalidade. O representante de Pequim deixou o gabinete insatisfeito, sem conhecer a posição oficial do Brasil sobre o tema. Não é a primeira vez que o Itamaraty se cala diante de situações sensíveis. No caso de Kosovo, o chanceler Celso Amorim emitiu sinais contraditórios. Apóia as resoluções da ONU, mas considera relevante as pessoas nas ruas felizes, comemorando a independência.

A caixa de pandora
A declaração de independência do Kosovo em fevereiro passado abriu definitivamente as portas para que outras causas separatistas ganhem projeção. O Tibete é primeira prova concreta desse efeito, tantas vezes aventado por diversos observadores. Embora a causa liderada pelo dalai-lama Tenzin Gyatso seja antiga, ela voltou no último dia 10 — aniversário da revolta tibetana contra a ocupação chinesa — como uma onda explosiva cujos efeitos políticos tiraram o sono do governo central da China. Tudo leva a crer que tratou-se de um movimento orquestrado: a ocorrência simultânea de ataques a embaixadas e representações chinesas em diversos países, em meio às eleições do Partido Comunista Chinês, às vésperas do plebiscito em Taiwan e da abertura das Olimpíadas.
Se a crise nos Bálcãs teve o dedo ostensivo da Casa Branca, não seria difícil concluir que o governo de George W. Bush tem sua responsabilidade no episódio chinês. Especialmente quando se toma em conta o histórico dos Estados Unidos na defesa do governo tibetano, tanto internamente como no exílio. Foram manobras da CIA que encorajaram a insurreição armada de 1959, que acabou com a derrota das forças feudais tibetanas e a fuga do lama para a Índia, numa operação encoberta pelo serviço de inteligência. A lógica da Guerra Fria é reinventada pelas mãos de Bush, num esforço de criar fatos que causem desgaste político a adversários como China e Rússia.
Fontes de inteligência estimam que o dalai-lama recebe dinheiro dos movimentos separatistas de Taiwan, onde hoje ocorre votação sobre sua entrada na ONU. O reconhecimento da ilha como país seria uma declaração de guerra, aos olhos de Pequim. Por isso, forças apoiadas pelo governo de Hu Jintao articulam um megaboicote ao pleito. O voto não é obrigatório, e os eleitores que também vão às urnas escolher o presidente não precisam preencher a cédula sobre o plebiscito. Novos conflitos são iminentes.

G-8 e Al-Qaeda
A inteligência japonesa descobriu que a Al-Qaeda está recrutando simpatizantes no país. Informações recentes levam a crer que extremistas islâmicos deixaram o Paquistão rumo ao sul da Ásia e já estariam operando células urbanas em Tóquio. Isso explicaria por que a cúpula do G-8 foi transferida para a ilha de Hokkaido. O governo está preparando um inédito esquema de segurança para o evento de julho. Em 2003, Osama bin Laden ameaçou atacar o Japão por sua participação nas ocupações do Iraque e do Afeganistão.

domingo, 16 de março de 2008

OEA decide sobre "observadores militares"


Publicado originalmente no Correio Braziliense de 16 de março de 2008.

Crise sul-americana

Brasil articula apoio para que uma missão militar regional seja deslocada à fronteira entre Colômbia e Equador. Objetivo é garantir a segurança contra as Farc e restabelecer a confiança entre os dois países
Claudio Dantas Sequeira, Da equipe do Correio

O governo Lula trabalha nos bastidores para que a reunião de amanhã entre os chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA) seja a pá de cal na crise entre Equador e Colômbia. O ministro Celso Amorim desembarca hoje em Washington, a tempo de reunir-se informalmente com contrapartes, para analisar o relatório da comissão que investigou as circunstâncias do ataque colombiano a um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano, em 1º de março. Diplomatas que participam da redação do informe revelaram ao Correio a disposição de aprovar o envio à fronteira de uma missão de observadores militares composta por países da região.

A iniciativa corresponde à expectativa do Itamaraty pela adoção de “medidas práticas” que evitem novas violações territoriais. A equipe de embaixadores liderada pelo secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, visitou a área onde ocorreu o bombardeio que matou o comandante guerrilheiro Raúl Reyes, “número 2” das Farc. Lá, os investigadores analisaram os restos do acampamento e os cálculos dos militares de Quito sobre a trajetória dos disparos. Os dados reiteram a tese de que o ataque surpresa foi executado a partir de território equatoriano. Da mesma maneira, a delegação da OEA estimou que a área inóspita, de selva densa, é de difícil monitoramento.

Daí a necessidade de enviar uma missão militar multilateral, um mecanismo de segurança para restabelecer a confiança entre as duas nações, que mantêm suspensas as relações diplomáticas desde o dramático episódio. A idéia foi bem recebida pelos presidentes Rafael Correa (Equador) e Álvaro Uribe (Colômbia), além do venezuelano Hugo Chávez — que desempenhou papel especial na crise. Amorim também obteve sinalização positiva da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, no encontro que tiveram em Brasília na quinta-feira. De fato, até o final da semana era a proposta mais consistente na mesa de negociações.

“É a oportunidade perfeita para cooperar em bases regionais para garantir que o terrorismo não ameace civis inocentes”, disse Rice em Brasília. Como a reportagem antecipou, a chefe da diplomacia dos Estados Unidos elogiou o papel de liderança do Brasil e defendeu publicamente que a crise seja debatida na OEA. “Os esforços da OEA tem sido importantes. Talvez seja a hora de a região refletir sobre como ter certeza de que a segurança se estenda pelas fronteiras, e os Estados Unidos serão parceiros nisso”, emendou. Em privado, foi Amorim quem congratulou a colega pelo “papel discreto” jogado pela Casa Branca. “A OEA passou em seu primeiro teste importante. Temos que dar um voto de confiança para ver se a reunião de segunda-feira consolida os resultados”, avalia um graduado diplomata.

Segundo ele, a missão militar é uma opção. “Esta é a fase de testar a idéia para ver se ela decola, mas a porta está aberta para que surjam outras soluções”, ponderou. Na sexta-feira, Insulza garantiu em Bogotá que as discrepâncias entre as versões da Colômbia e do Equador sobre como ocorreu o ataque não devem reavivar a crise política. “Verificamos com detalhes a versão colombiana. Temos também os argumentos do Equador”, emendou o secretário-geral, comentando que ambos os países demonstraram disposição para cooperar na segurança da fronteira binacional. Durante a crise, Correa qualificou o ataque como um “massacre” no qual a soberania do país foi violada. Uribe acusou o vizinho de ter ligações com as Farc.

Precedente
Em 1995, o Brasil liderou a Missão de Observadores Militares Equador-Peru (Momep), criada para solucionar o conflito fronteiriço entre os dois países. Os procedimentos para tal articulação foram resgatados do Protocolo do Rio de Janeiro, de 1942, que previa a intervenção dos países garantes (Argentina, Brasil, Chile e Estados Unidos). A missão durou quatro anos e as Forças Armadas brasileiras participaram com 191 militares, entre coordenadores-gerais, observadores e integrantes do Grupo de Apoio. Embora a crise atual seja, por princípio, distinta daquela de há uma década, autoridades diplomáticas e militares consideram a Momep um importante referencial, por ter sido bem sucedida.

sábado, 15 de março de 2008

O Terrorista Invisível


Coluna Conexão Diplomática, publicada no dia 15 de março de 2008.

Por Claudio Dantas Sequeira
claudio.dantas@correioweb.com.br

No embalo da ofensiva diplomática antiterror iniciada por Condoleezza Rice, desembarca em Brasília na próxima quarta-feira o ministro da Segurança Pública de Israel, Avraham Dichter (foto). A intensa agenda incluirá reuniões com o chanceler Celso Amorim; o ministro da Justiça, Tarso Genro; além dos diretores PF, Luiz Fernando Corrêa, e da Abin, o delegado Paulo Lacerda. “Avi” quer discutir o velho problema do suposto financiamento a Hezbollah e Hamas por comunidades muçulmanas que vivem na Tríplice Fronteira. Também falará de uma nascente célula do partido xiita na Venezuela. Como as autoridades brasileiras mantêm a versão de que não há indícios de terrorismo na região, os EUA apostam nas Farc para motivar o governo Lula a cooperar mais.

O ministro israelense, no entanto, deverá se concentrar na recente morte do libanês Imad Fayez Mughniyad, num atentado em Damasco. Chefe das operações militares do partido xiita pró-iraniano Hezbollah, Mughniyad era perseguido há 25 anos pelo FBI e a Interpol, que o batizaram com a alcunha de “homem invisível”. A ele eram atribuídos os ataques de 1983 contra a embaixada norte-americana em Beirute, o seqüestro e assassinato de William Buckley — chefe da CIA na capital libanesa —, o seqüestro do vôo 847 da TWA em 1985, e os atentados contra a embaixada israelense em Buenos Aires (1992) e a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 1994. Ao todo, Mughniyad teria provocado a morte de 450 pessoas. Sua cabeça valia US$ 5 milhões.

O Hezbollah protestou de forma veemente contra o assassinato do “líder rebelde”, acusando Israel. Em resposta, nomearam como novo chefe militar seu braço direito, Hajj Talal Hamiyye, o que reacendeu o alerta na comunidade de informações mundo afora, até na América Latina. Hamiyye é tido como um especialista em operações na região, e poderia assim “reativar” a ampla rede de inteligência que o partido e seu braço militar têm por aqui. No alvo de Hamiyye estariam infra-estruturas israelenses e norte-americanas, como representações diplomáticas, associações, comunidades etc. Antes da capital brasileira, Avi passará em Buenos Aires para lembrar os ataques da década passada.

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Igualdade

Na semana em que Condi assinou acordo com o Brasil sobre Combate à Desigualdade Racial, o Departamento de Estado foi classificado na 11ª posição no ranking dos 100 empregadores preferidos pelos negros. É o único órgão governamental a figurar na lista. A pasta de Rice também está elaborando o primeiro levantamento sobre incidentes anti-semitas no mundo.

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Divergência

Apesar da troca pública de gentilezas, Condi e Celso Amorim divergiram frontalmente sobre o papel da Síria no restabelecimento institucional do Líbano. A secretária norte-americana não tolera a participação de Damasco nas negociações de paz. Para o chanceler brasileiro, no entanto, é ingenuidade querer resolver a crise, desencadeada pela morte de Rafik Hariri em 2005, sem considerar todos os atores regionais.

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Enquanto isso, no GSI…

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, engavetou o projeto da Lei contra o Terrorismo — tornada pública pelo Correio há um ano. Sem um instrumento legal para enquadrar atos de violência contra civis ou instituições públicas, a Secretaria de Acompanhamento e Estudos Institucionais do GSI busca uma alternativa para cobrir as vulnerabilidades do sistema. Em entrevista à coluna, o coronel Fernando Melo explicou a nova iniciativa. Trata-se da criação de grupos de trabalho interministeriais que identificarão no país as chamadas “infra-estruturas críticas”, aquelas de importância estratégica para o Estado e que poderiam ser alvo de alguma ação criminosa.

O passo seguinte é desenvolver uma metodologia de gestão de risco, compreendendo prevenção e reposta imediata. O papel do GSI será centralizar as informações e articular a tomada de ação com os demais órgãos do governo. O primeiro grupo criado, Energia, terá a participação de representantes dos ministérios de Minas e Energia, Agricultura, além da Embrapa, do ONS e da Aneel. Assustou a invasão do MST à usina de Tucuruí, no ano passado. “Se a desligassem, a Região Norte ficaria às escuras, com risco de morte e prejuízo econômico”, diz Melo.

Serão trabalhadas em breve as áreas de transporte, telecomunicações, água e finanças. O GSI crê que será possível se antecipar a greves em setores sensíveis, como a dos controladores de vôo que colapsou a malha área do país no ano passado. Bloqueios em rodovias ou eixos viários importantes também tendem a ser protegidos. As transações bancárias e informações financeiras estratégicas estão na mira do projeto. Tem gente achando que os gastos sigilosos da Presidência com cartão corporativo poderiam ser incorporados ao programa de segurança da informação.

Entrevista - Alireza Aheikhattar

Irã convida Brasil para sua "segunda revolução"

Publicada originalmente no Correio Braziliense em 13 de março de 2008.


O Irã pôs em marcha um ousado programa de privatização que liquidará todas as estatais, com exceção da indústria bélica e da exploração de petróleo. A inédita abertura comercial, que o presidente Mahmud Ahmadinejad chama de “segunda fase” da Revolução Islâmica, poderá desmoralizar o embargo econômico impulsionado pela Casa Branca. “Após a queda do xá, o governo precisou intervir para resgatar a infra-estrutura. Chegou a hora de o setor privado assumir seu papel”, diz o vice-chanceler iraniano, Alireza Sheikhattar. Em entrevista exclusiva ao Correio, ele afirma que Brasil e Irã são países parecidos, “independentes”, e devem impedir que os EUA desmoralizem a ONU. Ele se reuniu ontem com o ministro Celso Amorim, com quem acertou visita oficial do presidente Lula a Teerã ainda este ano.

Como foi a reunião com Amorim?
Excelente. Há muita proximidade de posições. Cremos na justiça internacional, na paz e tomamos decisões de forma independente. Estudei com Amorim áreas de cooperação inéditas. A nova lei de privatização no Irã e de atração de investimentos abre enorme campo para os investidores brasileiros. Para explorar isso, decidimos criar grupos de trabalho em energia, investimentos e comércio. Queremos reforçar os laços políticos e programamos visitas dos ministros e dos presidentes. Vamos nos esforçar para que os encontros ocorram este ano.

Quais áreas serão privatizadas?
Todas, exceto indústrias militares e de exploração de petróleo. Temos 130 empresas, entre petroquímicas e serviços, que serão privatizadas. É uma ótima oportunidade para o investidor estrangeiro. Ele terá garantia de 100% do capital, isenção de impostos e encargos trabalhistas. A área de exploração também está aberta, mas estrangeiros não podem ser donos das reservas e o controle é dividido com o Estado.

Há novas perspectivas para a Petrobras?
A Petrobras tem dois projetos, um no Mar Cáspio e outro no Golfo Pérsico. Ela pode servir de cobertura para empresas americanas. Afinal, pensávamos que a Petrobras era uma empresa brasileira, que decidia sobre suas atividades, mas descobrimos que empresas americanas interferem nas decisões. Pela lei, não há impedimento para a entrada de companhias americanas. Só não queremos que sua presença sirva para espionagem.

O Irã segue o exemplo de China e Índia ao abrir a economia?
Temos um Estado e um governo baseados na lei islâmica, que prega o comércio livre. O profeta (Maomé) e sua esposa eram comerciantes. O regime do xá nunca investiu na infra-estrutura. Com a Revolução Islâmica, decidiu-se recuperá-la e o governo precisou intervir nas duas primeiras décadas. Na primeira fase, criamos usinas, ferrovias, um sistema de transporte aéreo. Nesta segunda fase, o Estado decidiu se retirar e abrir caminho para a iniciativa privada.

A balança comercial bilateral é desfavorável ao Irã. Como mudar isso?
A composição da balança também não é boa, com soja e carne dominando três quartos do comércio. Podemos cooperar em produção de veículos. O Irã é um dos grandes produtores, com 1,1 milhão de unidades anuais. Temos linhas de produção em seis países. Podemos trabalhar juntos, inclusive em terceiros mercados. Podemos cooperar em serviços e tecnologia, como o biodiesel. O Irã é um grande produtor de cana-de-açúcar no Oriente Médio. E, pela situação geográfica, podemos servir de plataforma às exportações brasileiras para 380 milhões de habitantes, e triplicar o comércio atual do Brasil com a região. Com a desvalorização do dólar, seu país deve procurar outros mercados.

Na questão nuclear, que tipo de apoio o Irã espera do Brasil? Nosso programa nuclear é claro, transparente, como atesta o último relatório da AIEA (a agência nuclear da ONU). Ela é a única referência legal, capaz de fazer justiça sobre as atividades de um país nessa área. Temos que impedir os EUA em sua tentativa de enfraquecer a AIEA.

terça-feira, 11 de março de 2008

Peregrinação nuclear...



O número 2 da diplomacia iraniana, Alireza Sheikh Attar, está em Brasília para conversar sobre o investimento da Petrobras no Irã. O projeto de exploração, orçado em mais de US$ 400 milhões, desagrada Washington. Attar também vai falar de comércio e das "próximas ações do programa nuclear iraniano". Na quinta-feira, ele vai dar coletiva à imprensa. No mesmo dia, estará em Brasília a secretária de Estado norte-americana, Condi Rice. O Itamaraty amarrou a agenda de maneria a evitar que ambos se cruzem pelos corredores...


Los secretos del PC de Reyes


A polícia colombiana distribuiu à imprensa uma espécie de relatório com a síntese dos principais emails encontrados no computador do guerrilheiro Raúl Reyes, morto no ataque extraterritorial de 1º de março. A autenticidade desses documentos está sendo checada por uma equipe da Interpol.


El formidable atentado a El Nogal'
Seis días después del atentado al club El Nogal en Bogotá, Raúl Reyes le escribe al Secretariado sobre el "formidable ataque a El Nogal" en el que murieron 36 personas y 100 quedaron heridas. Con esta comunicación no queda duda alguna de la autoría del crimen por parte de las Farc.

Febrero 13 de 2003

Camaradas del Secretariado. Va mi saludo comunista.
Adiciono análisis nota recibida de Lozano. Encuentro acertado nuestro análisis en cuanto al evidente desespero de Uribe y la cúpula militar por la ausencia de resultados y las crecientes presiones… Considero pertinente estudiar de nuestra parte la conveniencia política de negar responsabilidades en la formidable acción sobre El Nogal, para crearles al Estado, al gobierno y a los gringos mayores contradicciones internas aprovechando que los servicios de inteligencia no han sido capaces de detener a nadie ni poseen otras pruebas contra las Farc. Es todo. Un abrazo, Raúl.


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El crimen de Liliana Gaviria Trujillo

Quince días después del asesinato de Liliana, hermana del ex presidente César Gaviria Trujillo, Manuel Marulanda, alias 'Tirofijo', quien se identifica con las siglas JE, reconoce que fueron las Farc quienes cometieron el crimen.

Mayo 13 de 2006

Camaradas del Secretariado: Los saludo cordialmente y a la vez para comentarles lo siguiente:
…La propuesta de hacer un comunicado relacionado con la muerte de la hermana del ex presidente Gaviria es bueno pero no estoy en antecedente para dar opiniones. Solo estoy claro que el pleno de 2000 dejó como conclusión en sus planes el ajusticiamiento de jefes políticos comprometidos en la guerra contra el pueblo.Sin más, JE ('Tirofijo')

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La muerte de los diputados del Valle


Cuatro días después del crimen contra los 11 diputados del Valle del Cauca, secuestrados por las Farc en 2002, Manuel Marulanda, alias 'Tirofijo', le escribe al Secretariado para planear la forma como deben informar el crimen para "salir bien librados".

Junio 22 de 2007

Camaradas Secretariado:
Creo que ya han tenido la oportunidad de conocer mis opiniones enviadas al camarada Alfonso (Cano) con motivo de lo ocurrido para ver si entre todos logramos encontrar una salida más comprensible para el público y familiares en la cual murieron todos ellos y si el secreto se mantiene hasta el momento, me surgen dos propuestas: la primera aplazar el comunicado por largo tiempo hasta cuando las dos partes estén sentadas en la mesa hablando del tema del intercambio. Segundo, informar que la custodia de los prisioneros junto con ellos desertó y en su persecución por una compañía en medio del combate cayeron todos, cuyos cadáveres estamos dispuestos a entregar a los familiares, teniendo en cuenta que los refranes dicen: "que estas son patadas de ahogado". Porque los hechos son los hechos.


…Confirmar la presencia de operativos conjuntos ejército-paras etc., contra Farc en la región y de nuestra parte manteniendo el secreto inicial y a la vez sosteniendo la versión de una fuerza desconocida que asaltó el campamento, donde mostremos el lugar de entrada y salida del grupo asaltante nos salvamos no importa la clase de especialista en investigaciones. Ello quiere decir que si usted Alfonso (Cano) antes de permitir la entrada de comisiones humanitarias a recibir los restos de los diputados organiza y planifica bien todo para efecto de investigaciones saldremos bien librados a pesar de semejante campaña.
Sin más. JE. ('Tirofijo')

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Piedad presidente
Dos cartas, una de Raúl Reyes y otra de 'Tirofijo', hacen alusión a la senadora Piedad Córdoba.

Septiembre 23 de 2007

Camarada JE, camaradas del Secretariado: Fraternal saludo.
No tengo objeciones y ni aportes a la nueva carta del camarada para Chávez. De alta política el llamarlo a trabajar en conjunto con las Farc.


Ratifico mi propuesta de delegar al camarada Iván Márquez para que en representación del Secretariado y acompañado por Marco León o Santrich, acuda a la entrevista clandestina con el presidente Chávez, con la misión de exponer el plan estratégico…
Piedad me contó, pidiendo nuestra confidencialidad, que Chávez le aportó para obras sociales en su departamento 100 millones. De ser así, no sería descartable conseguir nosotros los 250 millones del Plan.
Abrazos, Raúl

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Carta de 'Tirofijo' a los miembros del Secretariado

Noviembre 20 de 2007

Camaradas Secretariado:
Los saludo cordialmente y a la vez para lo siguiente:
La información enviada por el camarada Iván M., señalando los resultados del encuentro en Venezuela con el presidente Chávez, Piedad y finalmente con Gabino son elementos indispensables de analizar por todo el Secretariado con suficiente atención…
En mi opinión el objetivo fundamental consiste en mejorar y consolidar relaciones políticas y de buena vecindad de acuerdo con las instrucciones y circunstancias del momento, a corto y largo plazo, complemento al Plan Estratégico se cumplieron en el aspecto político y económico con el aporte de (300). Faltando establecer las condiciones si es un préstamo o por solidaridad lo que resuelve un serio problema estratégico en la lucha contra la agresión gringa en cabeza de Uribe y de primera vista da la impresión que el hombre está interesado en aportar a la causa bolivariana de las Farc para lograr fortalecer su proyecto geopolítico en varios países…Ahora veamos la segunda parte relacionada con el intercambio humanitario… Creo que si logramos y así lo espero, oxigenar al presidente Chávez lo antes posible con las pruebas de supervivencia vamos a salir fortalecidos con su ayuda independientemente si logramos o no el intercambio.
Con respecto al trabajo realizado por Piedad C. como facilitadora es importante y saludable por sus gestiones y digno de tener en cuenta como aliada en la lucha para lograr la libertad de los prisioneros de ambas partes incluido Simón y Sonia sin olvidar que ella es una líder fiel al partido liberal y aunque se lo merece anda buscando protagonismo y dividendos políticos para su partido en una futura campaña presidencial. Si ella en la convención liberal resultara elegida como candidata de su partido tendría la posibilidad de ser presidente de Colombia con el apoyo nuestro. Tendiendo en cuenta que hay muchos aspirantes de por medio y así no es fácil alcanzar el poder…
En la carta enviada por Piedad al camarada Raúl veo cómo esta mujer amiga y trabajadora por el intercambio en unión con el presidente Chávez, a quien adora profundamente, tiene una gran facilidad mental y lengua hasta para nombrarla como jefe de culebreros aspirante a la Presidencia de la República.

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Sin más, JE ('Tirofijo')

Las Farc y 'Macaco'

En enero de este año, Rodrigo Londoño Echeverri, alias 'Timoleón Jiménez', le informa al Secretariado sobre la situación y los nexos con los hombres del paramilitar desmovilizado Carlos Mario Jiménez, alias 'Macaco'.

Enero 25 de 2008

Revolucionario saludo. Los contactos o razones con la gente de Macaco se han mantenido por el Bajo Cauca y Sur de Bolívar. Fuera del impuesto han traído alguna munición. Tienen una guerra con los de Aguachica que se denominan Águilas Negras, que en el Vichada tenían una guerra con un tal 'Cuchillo' que unido con el ejército los aniquiló. En el área de Simití y en el casco urbano de San Pablo y Santa Rosa, el ejército les ha hecho unas bajas, pero mantienen relación con la policía y algunos mandos del ejército. Los escoltas de los paramilitares se ofrecen por plata a desarrollar actividades militares logísticas, completos mercenarios.

Echan el cuento que la orientación que tienen a nivel nacional es negociar con Farc todo lo que tiene que ver con el narcótico. Ahora aparecen por el Catatumbo planteando una reunión oficial con Farc… Quien llegue a la zona a comprar a los precios y condiciones establecidas no tiene problema.
Saludos. Timo

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Alianzas con los narcos

A finales de 2006, Manuel Marulanda, alias 'Tirofijo', le hace un recuento al Secretariado sobre las presiones para adelantar el intercambio humanitario y sobre 'El Plan estratégico', que en alianza con los narcos llevan adelante para tomarse el poder.

Noviembre 23 de 2006

Camaradas Secretariado: los saludo cordialmente y a la vez para comentarles lo siguiente:
…Las elecciones en Ecuador gane Correa o no, ganamos nosotros porque nos acercamos a un movimiento con alternativa de poder con el cual mantendremos relaciones políticas con sus dirigentes. Con respecto a la propuesta de los narcotraficantes hay que indagar si son de la antigua generación o son de la nueva que ha surgido para reemplazar la primera, porque según información de Raúl piden albergue y ofrecen ayuda económica y de ser realista la propuesta podemos examinar cómo centralizar el trabajo en cabeza de un miembro del Estado Mayor Central para darle un manejo adecuado, de tal manera que, 5, 10 o 20 narcos se comprometan entre todos a reunir los 230 millones de dólares para el plan estratégico para evitar que nos engañen con migajas como antes y quedemos nosotros colgados de la brocha… Sin más.
JE. ('Tirofijo')


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La mediación de Gabo

A finales de agosto del año pasado, Alfonso Cano le dice al Secretariado de las Farc que el ELN está dispuesto a una unión entre las dos organizaciones para una negociación política, y habla de la intermediación que ya tienen adelantada con Gabriel García Márquez.

Agosto 23 de 2007

Camaradas del Secretariado. Mi saludo.
El ELN está muy interesado en terminar la guerra con las Farc y quiere empezar solicitando información acerca de que unidades del ELN están aliadas con los paramilitares contra las Farc, para el Coce dar las instrucciones y órdenes que posibiliten terminar esas alianzas. A pesar que las conversaciones que tuvo el ELN con Iván Márquez, no fue muy fraterna ni fluida, el ELN quiere que las Farc sepan que el ELN no será nunca martillo, ni ariete contra las Farc. Que lo mejor que puede ocurrir es un camino unido entre las dos organizaciones para una negociación política. …Los demócratas de USA, en Colombia, que antes estaban en Venezuela, dicen tener una clara postura hacia una negociación política con las Farc. García Márquez está a cargo de esa intermediación con las Farc por cuenta de USA y estos quieren que Panamá sea el país a través del cual se hable con las Farc. Para ello, García Márquez ya le transmitió esa solicitud a Torrijos y este aceptó. Clinton le dijo a García Márquez, en Cartagena "quiero tener una tarea personal. Quiero ayudar a Colombia. Hay que buscar un acuerdo con las Farc". El senador McGovern le dijo a García Márquez que: Bush quiere hacer de Colombia lo que era Alemania occidental frente a la Europa socialista y hay que impedirlo. Dice además que el analista político especialista en Colombia de los demócratas es Adam Isackson. Alfonso Cano.

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Las Farc y la campaña de Correa

Carta de "Tirofijo" a Reyes

Octubre 12 de 2006

Camarada Raúl:

Lo saludo cordialmente deseándole buena salud y a la vez aprovecho parar comunicarle lo siguiente. El Secretariado está de acuerdo en proporcionarles la ayuda a los amigos del Ecuador. La propuesta mía fue la suma de 20.000 dólares, Jorge ('Jojoy') propone 100.000 dólares y ofrece 50.000 y me autorizó para conseguirlos con Joaquín y hacérselos llegar donde usted. El camarada Alfonso está de acuerdo. La misma manifestación la hizo el camarada Timo.
…Si usted tiene la posibilidad de conseguirlos prestados con un frente mientras comenzamos a hacerlos llegar para reembolsarlos, mejor. A los amigos les puede hacer saber inmediatamente antes que sea tarde la cuantía de la ayuda y con esta noticia ellos pueden trabajar consiguiendo un préstamo mientras llega lo de nosotros para cancelar el préstamo.
Sin más. JE (Tirofijo)

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Ayuda a Correa

Carta de Raúl a Tirofijo

Septiembre 17 de 2006


Camarada JE ('Tirofijo'). Mi cálido y efusivo saludo.
En nota enviada al Secretariado explico sobre la ayuda entregada a la campaña de Rafael Correa de acuerdo a su instrucción. El coronel anunció volverme a visitar la próxima semana, con la finalidad de explicar los resultados electorales y la estrategia para la segunda vuelta. Ellos aseguran que hubo fraude, se proponen denunciarlo una vez tenga las pruebas en mano.
Los cubanos ofrecen mandar a Diego Suárez con gente del ELN a Venezuela y que de ahí lo recojamos para unidades nuestras. Si usted autoriza, yo les doy la respuesta positiva y se organiza la entrada al Bloque Oriental junto con Lucas, quien también ya está de regreso a Caracas. De haber dificultades para llegar se puede mandar donde Timo o Iván.
Le informo complacido que mis dos hijos mayores, Andrés y Andrea, concluyeron sus estudios en La Habana, obtuvieron los títulos de sicólogos con Magíster en sicología clínica…
Es todo por ahora. Un abrazo Raúl.

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'Cheo' el venezolano

Raúl Reyes le cuenta a 'Tirofijo' que Iván Márquez le habló sobre una visita de José Gregorio Guzmán, 'Cheo', un hombre de la Policía secreta venezolana enviado por el presidente Hugo Chávez.

Marzo 25 de 2005

Camarada JE (Tirofijo). Lo saludo con fuerte abrazo, deseándole buena salud.
Acabamos de recibir de Iván la nota siguiente:
"Es posible que mañana esté por aquí 'Cheo' un negrito amigo de Ricardo (Granda) y miembro de la Disip. Me manda a decir que viene de manera oficial, enviado por el presidente para aclararnos muchas cosas y abordar el asunto de las relaciones…Cheo es un hombre de la policía secreta con el que Ricardo se entrevistó por lo menos tres veces. Este hombre como es normal posee información de todas partes. Si Chávez manda en su representación a Cheo a reestablecer sus relaciones con las Farc quiere decir que estamos sintonizados…"
Un abrazo, Raúl

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La amistad con Gaddaffi

El computador conservaba, además, una carta enviada por Raúl Reyes en 2000 a Muammar Gaddafi en la que le explicaba al líder libio la lucha política de las Farc para gobernar a Colombia y le pide un préstamo de 100 millones de dólares para comprar cohetes tierra-aire.
Libia, ciudad de Trípoli,

4 de septiembre de 2000

Camarada coronel Muammar Gaddafi
Gran Líder de la Mathaba Mundial
Nuestro saludo revolucionario y bolivariano.
En primer lugar, queremos expresarle nuestros agradecimientos por la invitación que nos hicieron para visitar su país y la hospitalidad recibida por nuestra delegación durante la realización de la Cumbre de Jefes de Estado, Gobiernos, Partidos y Organizaciones Miembros de la Mathaba Mundial.

También deseamos comunicarle que nuestra organización guerrillera las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia Farc Ejército del Pueblo, continúa la lucha política por la conquista del poder político para gobernar a Colombia. …Como integrante del Estado Mayor Central y del Comandante en Jefe recibí el mandato de solicitarle un crédito de 100 millones de dólares a pagar en cinco años. Los objetivos del plan estratégico por la conquista del poder y las circunstancias de la confrontación militar nos exigen de disponer de mayores recursos para resistir la ofensiva de los enemigos, con armamentos de mayor alcance. Una de las necesidades prioritarias que hoy tenemos es conseguir Cohetes Tierra Aire para repeler y derribar los aviones de combate.

…Nuestra estrategia es llegar al poder mediante la lucha armada revolucionaria, sin renunciar a buscar salidas políticas distintas conducentes a evitar entre los colombianos más sangre derramada.
…Vamos a emprender ahora mismo, una campaña encaminada a crear las condiciones políticas para que Libia, Cuba y Venezuela participen en el futuro como países facilitadores de los diálogos entre el gobierno y la guerrilla colombiana.
Sin otro particular, expresamos nuestros sentimientos de consideración y aprecio de hermanos revolucionarios.
Raúl Reyes.

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Nexos con los turcos

A principios de 2006 Iván Márquez le habla de varios temas a Raúl Reyes, entre ellos, del dueño de transporte Bellanita de Medellín, de Piedad Córdoba y de sus contactos con el Partido Comunista de Turquía.

Enero 18 de 2006

Camarada Raúl. Cordial saludo.
Román, comandante del 18 me escribe lo siguiente: "Por acá llegó nuevamente el amigo del que le hablé, que está tratando de hablar con el dueño de transporte Bellanita de Medellín. Por ahora con el tipo no se ha hablado. Vino exclusivamente a traer un mensaje de Piedad Córdoba buscando contacto con usted, a él lo mandó un tal 'Ñañe', por lo que entiendo es el mensajero de Córdoba y mandó al señor César Augusto Estrada que es el que está en Medellín esperando cualquier razón".
…Hablé con los turcos. Son militantes del TKP (Partido Comunista de Turquía). Tienen guerrilla (15.000). Han hablado en Suiza con Lucas y Héctor (Orlando). Son aliados de los kurdos y chechenos. En Turquía hay 40 nacionalidades. Nos hablaron del galimatías, de su lucha y del actual papel del imperio y de la UE en la península de Anatolia. Vienen en plan de intercambio de experiencias, de misiles y otros insumos, QAP, es decir, van a averiguar. Se ven serios y buena

gente. Es todo. Iván.

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Los contactos de Rodríguez Chacín

A finales del año pasado, Iván Márquez le informa a 'Tirofijo' sobre las reuniones con el ministro del Interior venezolano, Ramón Rodríguez Chacín, y de un eventual encuentro con el presidente Hugo Chávez.

Octubre 3 de 2007

Camarada Manuel. Cordial saludo. De lo conversado hasta el momento con Rodríguez Chacín:
Chávez seguirá insistiendo en público y en privado en la necesidad de una reunión con el camarada Manuel en el Yarí… Desde luego se tendrá en cuenta la privacidad pero –dice Chávez–, Ortega, Evo y Correa, son "patria o muerte".
Chávez insiste en la reunión con él, o los delegados del Secretariado. Dice que sería muy buena señal al mundo. El encuentro será de tres días y pide que el remate sea público, probablemente en Miraflores. Chávez pide que tengamos en cuenta que su agenda es muy ocupada para noviembre…
Por último, me dice Rodríguez Chacín que el presidente quiere que de esta reunión salga un plan conjunto de seguridad. El emisario le reitera sus respetos y le envía cordial y revolucionario saludo. Es todo.
Iván.

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Las Farc y el narcotráfico

Hace un año, Jorge Briceño, alias 'Mono Jojoy', le dice a Raúl Reyes que él tiene guardado el dinero del narcotraficante de Buenaventura Jorge Asprilla Perea, condenado en febrero de 2007 a 30 años de cárcel por un juez de Nueva York.

Marzo 22 de 2007

Camarada Raúl. Lo saludo cordialmente. …El dinero es una parte del que le tengo guardado a Asprilla, el negro que extraditaron para Estados Unidos. Eso indica que no le vamos a devolver los dólares y que esa plata es de las Farc. …La mayoría con los que tenemos acuerdos económicos intentan siempre tumbarnos. Les va nuestro abrazo.Jorge ('Mono Jojoy')

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Las visitas del General de la Disip

En una comunicación que no tiene fecha exacta, Iván Márquez le dice a 'Tirofijo' sobre el encuentro que sostuvieron con un general, director de la Policía Política y un diputado venezolano.

Marzo 13

Camarada Manuel.
Cordial saludo
Luego de su visita a Timo (Timochenko) recibimos por aquí al general Rangel Silva, jefe de la Disip (Policía política de Venezuela) y al parlamentario Oréstedes Leal (Diputado venezolano).
Manifestó que su visita estaba debidamente autorizada por Chávez. …Fue reiterativo al afirmar que éste no ve con malos ojos a la insurgencia colombiana. "Es la misma lucha", habría expresado, y le entendimos que solicitan ayuda para contrarrestar la amenaza paramilitar… Dice que los compromisos son formales: usted me informa, yo le informo. "Chávez no confía en Uribe", nos dijo. Del embajador venezolano en Bogotá nos dijo que se había metido en política interna y que habló no como embajador sino como ministro de Uribe… Aprovechamos para insinuar la importancia de las relaciones secretas reservadas o el establecimiento de canal directo de comunicación. A través del general enviamos un saludo fraternal al Presidente
Att., Iván

domingo, 9 de março de 2008

Os cães ladram...


Coluna Conexão Diplomática, publicada sábado, dia 8, no Correio Braziliense.

Rafael Correa ameaçou ir à guerra com a Colômbia. Imitou Hugo Chávez e chegou a dizer em Brasília que Lula faria o mesmo, caso houvesse, em território brasileiro, ataque similar ao que despachou o comandante Raúl Reyes, há uma semana. Enorme bobagem a ser dita pelo presidente de um país pequeno, pobre e menos relevante para a região que a Bolívia de Evo Morales. De fato, o Equador só é importante para a Colômbia, seu segundo parceiro comercial. Correa fez estardalhaço, desviou o foco do problema real — as Farc — , capitalizando internamente a ameaça do “inimigo externo”.

Mas e o governo Lula, iria à guerra? Correria o risco de quebrar uma tradição secular, expor a deficiência de nossas Forças Armadas e arriscar a estabilidade econômica, afugentando investidores e sepultando o PAC? Em pleno ano eleitoral? Certamente, não. Lula é um sindicalista, um negociador por natureza. Pode usar o microfone para mobilizar suas “tropas”, mas não é de pegar em armas.

Antes, colocaria a diplomacia em campo, faria um agravo, convocaria o embaixador, romperia relações diplomáticas. Considerando a tradição de Rio Branco, é possível que surgisse a idéia de um grande investimento na Colômbia. Em meio a palavras e ações insidiosas da choldra bolivariana, o silêncio de Evo Morales é simbólico. Para o presidente indígena, seguir a política de Chávez lhe serviu apenas para aplastar de vez a cre-dibilidade do país no exterior.

Ironia
Dos 20 mortos no acampamento de Raúl Reyes, 10 seriam estudantes da Universidade Autônoma do México. O pai da única sobrevivente mexicana, Lucía Morett, disse que ela estava “no lugar errado, na hora errada”. Morett e outros companheiros de faculdade viajaram a Quito para participar do II Congresso da Coordenadora Continental Bolivariana (CCCB), que determinou a criação de um “Movimento Continental Bolivariano”.

Terminada a conferência, os estudantes foram levados ao acampamento de Reyes para “conhecer a vida na selva”. Havia brasileiros no CCCB. As Farc evoluíram politicamente na última década, criaram o Partido Comunista Colombiano Clandestino (PC3) e o Movimento Bolivariano para uma Nova Colômbia. Essa base ideológica a legitima perante movimentos sociais e políticos no continente, especialmente aqueles impulsionados por Chávez.

Mentiras
A verdade é a primeira vítima de uma guerra. Álvaro Uribe executou uma operação planejada, mas só admitiu isso quando as evidências se tornaram irrefutáveis. Rafael Correa tinha conhecimento da presença da guerrilha em seu território, e o admitiu quando disse que negociava a libertação de reféns. Hugo Chávez ameaçou de guerra e mobilizou tropas na fronteira, porque encontrou na Colômbia o esparro da luta retórica com os Estados Unidos e, nas Farc, a vertente viável de sua empreitada bolivariana no país vizinho. Lula, cujas antigas relações com a guerrilha narcoterrorista são ostensivas, caminha em ovos.

Solidão
Olivério Medina, ex-embaixador das Farc no Brasil, recebeu a notícia da morte do guerrilheiro Raúl Reyes, seu antigo chefe, com resignação. Depois que pediu asilo político ao governo brasileiro, Medina foi relegado ao esquecimento. Ele tem confessado a amigos que se sente “abandonado” pela guerrilha.
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De um homem só

"Nunca entraríamos numa guerra ao lado de Hugo Chávez. Se Lula quiser, vai ter que escolher outro Exército", comenta um general, sobre a idéia de um Comitê de Defesa Sul-americano

Conflito na Colômbia não é interno

Radicais de esquerda e simpatizantes das Farc apóiam o isolamento da Colômbia, do governo Álvaro Uribe e sua política de Segurança Democrática. Trata-se de um erro analítico tão raso, como o que levou os Estados Unidos a estrangular Cuba.

Dwight D. Eisenhower iniciou o embargo em 1960, ao propor uma emenda à Lei Açucareira de 1948, reduzindo a cota de importação de açúcar cubano com base no "interesse nacional". As restrições logo se estenderam ao comércio de equipamentos militares e, a partir de 1962, o governo de John F. Kennedy consolidou o bloqueio em suas vertentes comercial e financeira, e também no plano político regional e internacional.

O embargo está aí até hoje. Provou-se ineficaz em seu objetivo estratégico, mas privou o povo cubano.

É irônico que a tese de se criar um "cordão sanitário" em torno do conflito colombiano seja defendida por aqueles que exigem da Casa Branca a suspensão do embargo cubanm.

Sorte do Brasil que o Itamaraty rejeita qualquer política de isolamento de qualquer país. Quando Condoleezza Rice pediu a Celso Amorim para neutralizar Hugo Chávez, o chanceler respondeu educamente que não seria possível. Por que ceder à tentação no caso colombiano?

Folha de São Paulo e Correio Braziliense trazem neste domingo estratégicas informações de campo e inteligência, mostrando que as Farc são problema regional. Não se trata apenas de incursões guerrilheiras ou das forças colombianas de um lado ou outro da fronteira. A guerrilha precisa do reconhecimento internacional de seu "status beligerante", por isso barganha politicamente com reféns civis. Desde que se associou ao narcotráfico, as Farc depende de uma estrutura internacional para fazer escoar a produção de cocaína. Armas, remédios, alimentos e todo tipo de insumo chega do exterior, do Brasil inclusive. O grupo, que se utiliza de atos terroristas, provoca o deslocamento de milhares de colombianos, que buscam refúgio nos países vizinhos. O Equador é o principal deles, com mais de 200 mil cidadãos instalados na região de fronteira. O Brasil também recebe centenas dele.

Diante de tantos dados ostensivos, velhos e novos, por quanto tempo mais o conflito colombiano será considerado "interno"?

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quinta-feira, 6 de março de 2008

"As Farc violaram nossa soberania"

O equatoriano Franklin Barriga López, diretor do Instituto Equatoriano de Estudos para as Relações Internacionais — o mais conceituado think-tank do país — de Quito, apresenta um argumento bastante diferente do que vem usando seu presidente, Rafael Correa. Segundo ele, o conflito regional tem nas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), sua causa central, algo para o qual todos os governos, com exceção do de Álvaro Uribe, têm feito vista grossa.

Que lhe pareceu a resolução da OEA? É um texto equilibrado, sem palavras fortes, quase técnico…

A resolução da OEA é acertada, ainda que incompleta, já que se deveria condenar também a violação da soberania territorial equatoriana levada a cabo pelos narcoterroristas das Farc. Nos últimos meses, têm sido desbaratados pelas forças de segurança, em território equatoriano, dezenas de acampamentos desses bandoleiros colombianos, assim como incipientes plantações ilícitas e laboratórios de droga, o que demonstra sua dinâmica expansionista, da qual também sofrem os demais países que fazem fronteira com a Colômbia: Venezuela, Panamá, Brasil e Peru.

Para o senhor, o que significa o fato de não haver saído uma condenação à Colômbia ou uma verdadeira advertência de que a OEA não tolerará outros incidentes?
A solução para a crise deve se dar num marco de paz, mediante a linguagem da diplomacia e não das armas, a qual se sente obsessivamente inclinado o presidente Hugo Chávez da Venezuela. Nesse contexto, a OEA deve demonstrar sua eficácia.

Crê que resolução põe uma pedra no conflito ou ainda há risco de combate?
O combate não deve ser entre nações irmãs, mas contra os fatores adversos que impedem a concórdia e o desenvolvimento, como são o narcotráfico e a violência armada, junto a outros crimes dos quais as Farc são tristemente famosos expoentes. Nas Farc há que encontrar a causa principal do que está acontecendo. (CDS)

terça-feira, 4 de março de 2008

O alvo valeu a crise

Um general, que é comandante, me falou a pouco sobre como a crise entre Equador e Colômbia está repercutindo no Exército. "Estamos preocupados, como deveria ser, mas não achamos que haverá uma guerra. É uma hipótese muito absurda". Os militares acreditam numa saída diplomática. O tema foi central na reunião do Alto Comando, que dura até amanhã, no QG do Exército, aqui em Brasília.

Sobre a incursão colombiana "hot pursuit", que originou todo o problema, esse general mostrou sinceridae: "Eles falharam em invadir o território do Equador. Se fosse eu no comando da operação, não sei se perderia a oportunidade. O alvo (Raul Reyes) era altamente compensador. Pra quem tá no pau... Deve ter ficado naquela: 'faço, não faço, e aí resolveu fazer'. Pagou para ver! Talvez a reação tenha sido inesperada."

Urânio e as Farc

Em março de 2006, o Exército apreendeu 13,5 kg de urânio empobrecido com um casal que se preparava para vender o minério por cerca de US$ 350 milhões. O urânio empobrecido é subproduto do processo de enriquecimento e tem uso não só para a fabricação de bombas sujas, mas "mísseis e balas sujas". Essa munição emite radiação e deixa seqüelas, inclusive naqueles que a manipulam. Os EUA usaram-na no Kosovo e na primeira guerra contra o Iraque. Países europeus também dispõem da tecnologia. Um bom artigo.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Olho por Olho

A França está preocupada com o destino da ex-senadora Ingrid Betancourt, refém mais importante das Farc. Com o brutal assassinato de Raúl Reyes, o presidente Nicolas Sarkozy espera o pior: uma retaliação das Farc. Para as autoridades colombianas, tal ato radical da narcoguerrilha é quase um desejo proibido.

Lições da morte de Reyes

Uma das primeiras lições deixadas pela atual crise envolvendo a morte de Raúl Reyes é que o "conflito colombiano" não é apenas colombiano. É um problema de todos. Já devíamos saber disso, depois da incursão colombiana em território brasileiro em 1998. Eles invadiram, nós reagimos convocando o embaixador e emitindo nota de protesto. Ninguém se feriu, mas ficou a sensação de que uma linha de fronteira não é capaz de isolar o problema.

Não haverá guerra ou será a Terceira Guerra


A ameaça de guerra, feita por Hugo Chávez à Colômbia, não deve se concretizar a curto prazo. Entretanto, reduzirá a capacidade de mobilização das forças armadas colombianas no combate às Farc, tornando o território venezuelano um refúgio seguro para outros membros do secretariado, como já ocorre com Iván Márquez. Aliás, este é o principal objetivo de Chávez, em sua cruzada em apoio à narcoguerrilha terrorista.

Se o governo colombiano mostrar as provas que disse ter sobre a relação entre as Farc e o presidente Rafael Correa a coisa se complica, e os Estados Unidos podem incluir o Equador na lista de países que apóiam o terrorismo. A decisão poderá ser vista como retaliação à iniciativa de Correa de não renovar o tratado militar sobre o uso norte-americano da base de Manta.

O Equador não tem condições materiais de entrar em um combate regular contra a Colômbia, especialmente na Amazônia. Se Chávez o fizer, certamente será encurralado pelos EUA na retaguarda caribenha. Uma guerra assim não tem qualquer futuro para os venezuelanos. Resta saber se o Irã de Ahmadinejad se disporia a cumprir o acordo de assistência recíprova assinado com Caracas. Neste caso, o bicho pega e estaríamos à beira da Terceira Guerra.

Lula está diante de seu maior desafio em política externa. É preciso abandonar imediatamente posturas erráticas e chamar todos à razão.

domingo, 2 de março de 2008



Votos de Lula na Itália

O governo Lula terá influência inédita nas eleições parlamentares da Itália, marcadas para 14 de abril. É que além do voto de dona Marisa Letícia, bisneta de italianos que vieram para o Brasil em 1900, também poderão se pronunciar sobre o futuro político daquele país — ainda que em sigilo — dois ministros de Estado: Guido Mantega, italiano nato, e Carlos Luppi, que tem cidadania. Trata-se de situação incomum, com polêmica certa. Muita gente lá não gosta nada do fato de a Constituição conceder cidadania e direito de voto a todo descendente nascido no exterior. O caso de Marisa virou manchete em 2006, quando o ex-premiê Massimo D’Alema criticou o abuso na concessão de passaportes para os oriundi. D’Alema, amigo do presidente Lula e líder dos Democráticos da Esquerda (DS), defendeu que se estendesse o mesmo direito aos imigrantes que vivem e trabalham na Itália.

Para ilustrar a crítica, D’Alema disse que, em viagem ao Brasil, Marisa contou-lhe ter recebido o certificado eleitoral. “Ela fala apenas português, não sabia o que era”, afirmou o político, ao definir como “absurdo” que a babá de seus filhos não tivesse o mesmo direito. Além de Marisa, também votam os três filhos com Lula (Fábio Luiz, Sandro Luiz e Luiz Cláudio) e Marcos Cláudio, do primeiro casamento. A América do Sul poderá eleger três deputados e dois senadores. Este ano, cerca 700 mil brasileiros devem votar. Até 20 de março todos devem receber em casa o envelope com a cédula, que deverá ser entregue, ou enviada pelos Correios, às representações diplomáticas italianas, até as 16h do dia 10 de abril.

A professora Derlei Catarina De Luca, da Secretaria da Associação Bellunesi Nel Mondo, orienta a todos para entregarem seu voto imediatamente. Segundo ela, os estados com mais eleitores são Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Os candidatos brasileiros já estão definidos. Pelo Movimento Associativo Italiani All’Estero, concorrem Itamar Benedt (Criciuma), para o Senado; além de Luiz Carlos Molossi (Paraná), Gianni Boscolo (São Paulo) e Iotti (cartunista de Porto Alegre) para a Câmara dos Deputados. Pelo Partido Democrático (PD), estão Edoardo Pollastri (São Paulo), que tenta ser reeleito senador, e Fabio Porta, como deputado.

Argentina, Chile e Venezuela também terão candidatos próprios. Na Itália, o candidato pode pedir filiação a um partido no ato de sua postulação. As duas câmaras legislativas italianas contam ainda com representantes dos EUA, Canadá, Austrália e até países africanos.

Rice vem dia 13
A coluna confirmou a agenda da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice. Ela estará em Brasília no dia 13 de março por poucas horas. Terá um encontro breve com o presidente Lula e um almoço com o chanceler Celso Amorim. Da capital, Condi ruma para Salvador, onde pernoita e parte no dia seguinte para o Chile.

Rolo de dívida
A Bolívia oficializou a doação de um terreno para pagar juros do perdão da dívida de US$ 53 milhões anunciado pelo governo Lula ao de Evo Morales. Trata-se do quintal da residência do embaixador do Brasil em La Paz, que agora vai vai abrigar o Centro de Estudos Brasileiros na Bolívia.

Racionando
A Coréia do Norte fechou sua embaixada na Austrália e está retirando diplomatas e adidos militares das representações na Europa. O corte ainda não chegou ao Brasil.

Estratégia
O ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, desembarca em Caracas na terça-feira, dia 4. Vai discutir com Hugo Chávez “ações alternativas para o desenvolvimento”. A Embrapa vai abrir um escritório na Venezuela. Além de treinamento, Lula dá uma mãozinha na produção de leite, carnes e culturas da mandioca e café.

Contra Chávez
O sucesso da marcha mundial contra as Farc levou um grupo de opositores na Venezuela a organizar o “Dia Mundial Contra Chávez”. A data escolhida é o 11 de abril. Para se inscrever, é só acessar o blog www.nomaschavez-concentracion.blogspot.com.

Elas e a mídia
Hillary Clinton e Cristina Kirchner têm muito em comum, além de poder. As duas mantêm relação tensa com os jornalistas e culpam a imprensa por suas mancadas.

Coluna publicana no Correio Braziliense, dia 1 de março de 2008.