
Coluna Conexão Diplomática, publicada sábado, dia 8, no Correio Braziliense.
Rafael Correa ameaçou ir à guerra com a Colômbia. Imitou Hugo Chávez e chegou a dizer em Brasília que Lula faria o mesmo, caso houvesse, em território brasileiro, ataque similar ao que despachou o comandante Raúl Reyes, há uma semana. Enorme bobagem a ser dita pelo presidente de um país pequeno, pobre e menos relevante para a região que a Bolívia de Evo Morales. De fato, o Equador só é importante para a Colômbia, seu segundo parceiro comercial. Correa fez estardalhaço, desviou o foco do problema real — as Farc — , capitalizando internamente a ameaça do “inimigo externo”.
Mas e o governo Lula, iria à guerra? Correria o risco de quebrar uma tradição secular, expor a deficiência de nossas Forças Armadas e arriscar a estabilidade econômica, afugentando investidores e sepultando o PAC? Em pleno ano eleitoral? Certamente, não. Lula é um sindicalista, um negociador por natureza. Pode usar o microfone para mobilizar suas “tropas”, mas não é de pegar em armas.
Antes, colocaria a diplomacia em campo, faria um agravo, convocaria o embaixador, romperia relações diplomáticas. Considerando a tradição de Rio Branco, é possível que surgisse a idéia de um grande investimento na Colômbia. Em meio a palavras e ações insidiosas da choldra bolivariana, o silêncio de Evo Morales é simbólico. Para o presidente indígena, seguir a política de Chávez lhe serviu apenas para aplastar de vez a cre-dibilidade do país no exterior.
Ironia
Dos 20 mortos no acampamento de Raúl Reyes, 10 seriam estudantes da Universidade Autônoma do México. O pai da única sobrevivente mexicana, Lucía Morett, disse que ela estava “no lugar errado, na hora errada”. Morett e outros companheiros de faculdade viajaram a Quito para participar do II Congresso da Coordenadora Continental Bolivariana (CCCB), que determinou a criação de um “Movimento Continental Bolivariano”.
Terminada a conferência, os estudantes foram levados ao acampamento de Reyes para “conhecer a vida na selva”. Havia brasileiros no CCCB. As Farc evoluíram politicamente na última década, criaram o Partido Comunista Colombiano Clandestino (PC3) e o Movimento Bolivariano para uma Nova Colômbia. Essa base ideológica a legitima perante movimentos sociais e políticos no continente, especialmente aqueles impulsionados por Chávez.
Mentiras
A verdade é a primeira vítima de uma guerra. Álvaro Uribe executou uma operação planejada, mas só admitiu isso quando as evidências se tornaram irrefutáveis. Rafael Correa tinha conhecimento da presença da guerrilha em seu território, e o admitiu quando disse que negociava a libertação de reféns. Hugo Chávez ameaçou de guerra e mobilizou tropas na fronteira, porque encontrou na Colômbia o esparro da luta retórica com os Estados Unidos e, nas Farc, a vertente viável de sua empreitada bolivariana no país vizinho. Lula, cujas antigas relações com a guerrilha narcoterrorista são ostensivas, caminha em ovos.
Solidão
Olivério Medina, ex-embaixador das Farc no Brasil, recebeu a notícia da morte do guerrilheiro Raúl Reyes, seu antigo chefe, com resignação. Depois que pediu asilo político ao governo brasileiro, Medina foi relegado ao esquecimento. Ele tem confessado a amigos que se sente “abandonado” pela guerrilha.
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De um homem só
"Nunca entraríamos numa guerra ao lado de Hugo Chávez. Se Lula quiser, vai ter que escolher outro Exército", comenta um general, sobre a idéia de um Comitê de Defesa Sul-americano
Rafael Correa ameaçou ir à guerra com a Colômbia. Imitou Hugo Chávez e chegou a dizer em Brasília que Lula faria o mesmo, caso houvesse, em território brasileiro, ataque similar ao que despachou o comandante Raúl Reyes, há uma semana. Enorme bobagem a ser dita pelo presidente de um país pequeno, pobre e menos relevante para a região que a Bolívia de Evo Morales. De fato, o Equador só é importante para a Colômbia, seu segundo parceiro comercial. Correa fez estardalhaço, desviou o foco do problema real — as Farc — , capitalizando internamente a ameaça do “inimigo externo”.
Mas e o governo Lula, iria à guerra? Correria o risco de quebrar uma tradição secular, expor a deficiência de nossas Forças Armadas e arriscar a estabilidade econômica, afugentando investidores e sepultando o PAC? Em pleno ano eleitoral? Certamente, não. Lula é um sindicalista, um negociador por natureza. Pode usar o microfone para mobilizar suas “tropas”, mas não é de pegar em armas.
Antes, colocaria a diplomacia em campo, faria um agravo, convocaria o embaixador, romperia relações diplomáticas. Considerando a tradição de Rio Branco, é possível que surgisse a idéia de um grande investimento na Colômbia. Em meio a palavras e ações insidiosas da choldra bolivariana, o silêncio de Evo Morales é simbólico. Para o presidente indígena, seguir a política de Chávez lhe serviu apenas para aplastar de vez a cre-dibilidade do país no exterior.
Ironia
Dos 20 mortos no acampamento de Raúl Reyes, 10 seriam estudantes da Universidade Autônoma do México. O pai da única sobrevivente mexicana, Lucía Morett, disse que ela estava “no lugar errado, na hora errada”. Morett e outros companheiros de faculdade viajaram a Quito para participar do II Congresso da Coordenadora Continental Bolivariana (CCCB), que determinou a criação de um “Movimento Continental Bolivariano”.
Terminada a conferência, os estudantes foram levados ao acampamento de Reyes para “conhecer a vida na selva”. Havia brasileiros no CCCB. As Farc evoluíram politicamente na última década, criaram o Partido Comunista Colombiano Clandestino (PC3) e o Movimento Bolivariano para uma Nova Colômbia. Essa base ideológica a legitima perante movimentos sociais e políticos no continente, especialmente aqueles impulsionados por Chávez.
Mentiras
A verdade é a primeira vítima de uma guerra. Álvaro Uribe executou uma operação planejada, mas só admitiu isso quando as evidências se tornaram irrefutáveis. Rafael Correa tinha conhecimento da presença da guerrilha em seu território, e o admitiu quando disse que negociava a libertação de reféns. Hugo Chávez ameaçou de guerra e mobilizou tropas na fronteira, porque encontrou na Colômbia o esparro da luta retórica com os Estados Unidos e, nas Farc, a vertente viável de sua empreitada bolivariana no país vizinho. Lula, cujas antigas relações com a guerrilha narcoterrorista são ostensivas, caminha em ovos.
Solidão
Olivério Medina, ex-embaixador das Farc no Brasil, recebeu a notícia da morte do guerrilheiro Raúl Reyes, seu antigo chefe, com resignação. Depois que pediu asilo político ao governo brasileiro, Medina foi relegado ao esquecimento. Ele tem confessado a amigos que se sente “abandonado” pela guerrilha.
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De um homem só
"Nunca entraríamos numa guerra ao lado de Hugo Chávez. Se Lula quiser, vai ter que escolher outro Exército", comenta um general, sobre a idéia de um Comitê de Defesa Sul-americano


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