segunda-feira, 24 de março de 2008

Conexão Diplomática

Por Claudio Dantas Sequeira

Pequim-Brasília

A coluna apurou que o embaixador chinês em Brasília, Cheng Duqing, se reuniu a portas fechadas, na quarta-feira, com o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães. Além de dar detalhes da situação no Tibete, Duqing pediu o apoio explícito do governo Lula à causa chinesa. Guimarães ouviu as queixas, disse que acompanha atentamente o conflito e expressou o desejo de que a situação volte à normalidade. O representante de Pequim deixou o gabinete insatisfeito, sem conhecer a posição oficial do Brasil sobre o tema. Não é a primeira vez que o Itamaraty se cala diante de situações sensíveis. No caso de Kosovo, o chanceler Celso Amorim emitiu sinais contraditórios. Apóia as resoluções da ONU, mas considera relevante as pessoas nas ruas felizes, comemorando a independência.

A caixa de pandora
A declaração de independência do Kosovo em fevereiro passado abriu definitivamente as portas para que outras causas separatistas ganhem projeção. O Tibete é primeira prova concreta desse efeito, tantas vezes aventado por diversos observadores. Embora a causa liderada pelo dalai-lama Tenzin Gyatso seja antiga, ela voltou no último dia 10 — aniversário da revolta tibetana contra a ocupação chinesa — como uma onda explosiva cujos efeitos políticos tiraram o sono do governo central da China. Tudo leva a crer que tratou-se de um movimento orquestrado: a ocorrência simultânea de ataques a embaixadas e representações chinesas em diversos países, em meio às eleições do Partido Comunista Chinês, às vésperas do plebiscito em Taiwan e da abertura das Olimpíadas.
Se a crise nos Bálcãs teve o dedo ostensivo da Casa Branca, não seria difícil concluir que o governo de George W. Bush tem sua responsabilidade no episódio chinês. Especialmente quando se toma em conta o histórico dos Estados Unidos na defesa do governo tibetano, tanto internamente como no exílio. Foram manobras da CIA que encorajaram a insurreição armada de 1959, que acabou com a derrota das forças feudais tibetanas e a fuga do lama para a Índia, numa operação encoberta pelo serviço de inteligência. A lógica da Guerra Fria é reinventada pelas mãos de Bush, num esforço de criar fatos que causem desgaste político a adversários como China e Rússia.
Fontes de inteligência estimam que o dalai-lama recebe dinheiro dos movimentos separatistas de Taiwan, onde hoje ocorre votação sobre sua entrada na ONU. O reconhecimento da ilha como país seria uma declaração de guerra, aos olhos de Pequim. Por isso, forças apoiadas pelo governo de Hu Jintao articulam um megaboicote ao pleito. O voto não é obrigatório, e os eleitores que também vão às urnas escolher o presidente não precisam preencher a cédula sobre o plebiscito. Novos conflitos são iminentes.

G-8 e Al-Qaeda
A inteligência japonesa descobriu que a Al-Qaeda está recrutando simpatizantes no país. Informações recentes levam a crer que extremistas islâmicos deixaram o Paquistão rumo ao sul da Ásia e já estariam operando células urbanas em Tóquio. Isso explicaria por que a cúpula do G-8 foi transferida para a ilha de Hokkaido. O governo está preparando um inédito esquema de segurança para o evento de julho. Em 2003, Osama bin Laden ameaçou atacar o Japão por sua participação nas ocupações do Iraque e do Afeganistão.

2 comentários:

Anônimo disse...

Cadê a nova enquete? Quero votar!

Claudio Dantas Sequeira disse...

o que vc sugere?