domingo, 2 de março de 2008

Votos de Lula na Itália

O governo Lula terá influência inédita nas eleições parlamentares da Itália, marcadas para 14 de abril. É que além do voto de dona Marisa Letícia, bisneta de italianos que vieram para o Brasil em 1900, também poderão se pronunciar sobre o futuro político daquele país — ainda que em sigilo — dois ministros de Estado: Guido Mantega, italiano nato, e Carlos Luppi, que tem cidadania. Trata-se de situação incomum, com polêmica certa. Muita gente lá não gosta nada do fato de a Constituição conceder cidadania e direito de voto a todo descendente nascido no exterior. O caso de Marisa virou manchete em 2006, quando o ex-premiê Massimo D’Alema criticou o abuso na concessão de passaportes para os oriundi. D’Alema, amigo do presidente Lula e líder dos Democráticos da Esquerda (DS), defendeu que se estendesse o mesmo direito aos imigrantes que vivem e trabalham na Itália.

Para ilustrar a crítica, D’Alema disse que, em viagem ao Brasil, Marisa contou-lhe ter recebido o certificado eleitoral. “Ela fala apenas português, não sabia o que era”, afirmou o político, ao definir como “absurdo” que a babá de seus filhos não tivesse o mesmo direito. Além de Marisa, também votam os três filhos com Lula (Fábio Luiz, Sandro Luiz e Luiz Cláudio) e Marcos Cláudio, do primeiro casamento. A América do Sul poderá eleger três deputados e dois senadores. Este ano, cerca 700 mil brasileiros devem votar. Até 20 de março todos devem receber em casa o envelope com a cédula, que deverá ser entregue, ou enviada pelos Correios, às representações diplomáticas italianas, até as 16h do dia 10 de abril.

A professora Derlei Catarina De Luca, da Secretaria da Associação Bellunesi Nel Mondo, orienta a todos para entregarem seu voto imediatamente. Segundo ela, os estados com mais eleitores são Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Os candidatos brasileiros já estão definidos. Pelo Movimento Associativo Italiani All’Estero, concorrem Itamar Benedt (Criciuma), para o Senado; além de Luiz Carlos Molossi (Paraná), Gianni Boscolo (São Paulo) e Iotti (cartunista de Porto Alegre) para a Câmara dos Deputados. Pelo Partido Democrático (PD), estão Edoardo Pollastri (São Paulo), que tenta ser reeleito senador, e Fabio Porta, como deputado.

Argentina, Chile e Venezuela também terão candidatos próprios. Na Itália, o candidato pode pedir filiação a um partido no ato de sua postulação. As duas câmaras legislativas italianas contam ainda com representantes dos EUA, Canadá, Austrália e até países africanos.

Rice vem dia 13
A coluna confirmou a agenda da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice. Ela estará em Brasília no dia 13 de março por poucas horas. Terá um encontro breve com o presidente Lula e um almoço com o chanceler Celso Amorim. Da capital, Condi ruma para Salvador, onde pernoita e parte no dia seguinte para o Chile.

Rolo de dívida
A Bolívia oficializou a doação de um terreno para pagar juros do perdão da dívida de US$ 53 milhões anunciado pelo governo Lula ao de Evo Morales. Trata-se do quintal da residência do embaixador do Brasil em La Paz, que agora vai vai abrigar o Centro de Estudos Brasileiros na Bolívia.

Racionando
A Coréia do Norte fechou sua embaixada na Austrália e está retirando diplomatas e adidos militares das representações na Europa. O corte ainda não chegou ao Brasil.

Estratégia
O ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, desembarca em Caracas na terça-feira, dia 4. Vai discutir com Hugo Chávez “ações alternativas para o desenvolvimento”. A Embrapa vai abrir um escritório na Venezuela. Além de treinamento, Lula dá uma mãozinha na produção de leite, carnes e culturas da mandioca e café.

Contra Chávez
O sucesso da marcha mundial contra as Farc levou um grupo de opositores na Venezuela a organizar o “Dia Mundial Contra Chávez”. A data escolhida é o 11 de abril. Para se inscrever, é só acessar o blog www.nomaschavez-concentracion.blogspot.com.

Elas e a mídia
Hillary Clinton e Cristina Kirchner têm muito em comum, além de poder. As duas mantêm relação tensa com os jornalistas e culpam a imprensa por suas mancadas.

Coluna publicana no Correio Braziliense, dia 1 de março de 2008.

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